A imagem de Lionel Messi levantando taças, quebrando recordes e decidindo partidas históricas já faz parte da memória do futebol. Mas existe um detalhe da infância do argentino que poderia ter mudado completamente a trajetória de um dos maiores atletas de todos os tempos!
Hoje dono de 18 gols em Copas do Mundo e isolado como maior artilheiro da história dos Mundiais, Messi precisou enfrentar uma batalha longe dos gramados quando ainda era criança. Diagnosticado com deficiência do hormônio do crescimento, o camisa 10 da Argentina teve seu futuro no esporte colocado em dúvida muito antes de encantar o planeta com a bola nos pés.
A condição exigiu anos de tratamento, aplicações diárias e um esforço financeiro que sua família teve dificuldades para sustentar. Sem isso, a história do futebol poderia ter sido bem diferente...
Messi tinha apenas 11 anos quando recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida. Na época, o jogador media cerca de 1,30 metro, altura considerada compatível com crianças de oito ou nove anos.
Enquanto atuava nas categorias de base do Newell's Old Boys, o argentino já demonstrava talento acima da média, mas chamava atenção também pela baixa estatura em comparação aos demais garotos da mesma idade.
Exames médicos confirmaram a deficiência do hormônio do crescimento, condição que impede o desenvolvimento físico normal durante a infância e a adolescência.
Os médicos foram diretos: seria necessário iniciar um tratamento baseado em aplicações diárias do hormônio para estimular o desenvolvimento ósseo e muscular.
Anos depois, o próprio Messi relembrou como era a rotina. "Uma vez por noite, eu me injetava com o hormônio do crescimento. Alternava as pernas: primeiro uma, depois a outra. No início, meus pais me aplicavam, até que aprendi e comecei a fazer sozinho", contou o craque em relato divulgado pelo portal El Debate.
Embora a baixa estatura tenha sido o aspecto mais visível da condição, especialistas afirmam que o impacto da deficiência hormonal vai muito além dos centímetros.
Em entrevista ao jornal O Globo, a endocrinologista pediátrica Margaret Boguszewsk explicou que a ausência do tratamento afetaria diretamente a formação muscular, a saúde óssea e o metabolismo.
"Sem o tratamento, ele talvez não chegasse a 1,50m. Mas, é preciso considerar também os efeitos metabólicos do hormônio do crescimento. A deficiência deste hormônio afeta a formação de músculos e a queima de gordura, então a tendência é desenvolver obesidade. Além disso, a massa óssea fica comprometida, aumentando o risco de fraturas. Sem tratamento, seria praticamente impossível um deficiente de hormônio de crescimento se tornar um jogador de futebol ou de qualquer outro esporte", afirmou a médica.
O problema poderia comprometer justamente atributos fundamentais para um atleta profissional: força, explosão, resistência física e estrutura óssea.
Além do desafio médico, havia um obstáculo financeiro. O tratamento era caro e precisava ser mantido sem interrupções. Em entrevista, também reproduzida pelo jornal espanhol El Debate, Messi admitiu: "Foi um tratamento muito caro".
Nesse período, a mãe do jogador, Celia María Cuccittini, teve papel decisivo para garantir a continuidade das aplicações. Segundo o relato do argentino, ela atravessava Rosário em busca dos recursos necessários para custear o tratamento. "Morávamos na zona sul da cidade e tínhamos que ir até Malvinas, do outro lado", recordou.
Nem sempre as tentativas davam resultado. "Às vezes, ela ia e diziam que a pessoa que deveria lhe entregar o dinheiro não estava lá", contou Messi.
Com dificuldades para manter os custos do tratamento, a família encontrou uma solução que acabaria transformando a história do futebol. O Barcelona decidiu apostar no garoto argentino e assumiu integralmente as despesas médicas relacionadas ao hormônio do crescimento.
Foi durante esse período que Messi passou a treinar nas categorias de base do clube catalão enquanto seguia recebendo as aplicações diárias.
O tratamento funcionou. Messi completou seu desenvolvimento físico e atingiu cerca de 1,70 metro de altura na vida adulta. Décadas depois, o menino que recebeu o apelido de "La Pulga" por ser menor que os colegas alcançou uma dimensão que vai muito além dos centímetros.
Em 22 de junho de 2026, ao marcar duas vezes na vitória da Argentina sobre a Áustria, o craque chegou a 18 gols em Copas do Mundo e ampliou um recorde que já era seu: o de maior artilheiro da história dos Mundiais!